Dr Mordenheim

Como já trouxe a história do Adan aqui, vou colocar a do seu criador, que está tão intimamente ligado a ele. Mordenheim é um cientista cirurgião, para as campanhas ele é extremamente fraco, não passa de apenas mais um personagem, mas no spellfire ele até que é bem utlizado, apesar do nível 1 constante na carta.

Ele Aparenta ter aproximadamente trinta e cinco anos de idade. ele tem 1,90m, suas afeições finas e pronunciadas indicam uma ascendência aristocrática. Apesar de ser relativamente jovem, uma obsessão intensa pelo trabalho deixou grande parte de seu cabelo grisalho, restando apenas umas poucas mechas da cor original castanho.

Dr Mordenheim: Carta do spellfire

A tensão assola o Dr. Mordenheim, seus músculos faciais chegam às vezes a se contrair. Seus lábios nunca relaxam num sorriso. Os tendões das costas de suas mãos são atirados e saltados e a pele que cobre os nós de seus dedos é tão branca quanto os ossos que se escondem debaixo dela.

Mordenheim tem uma cicatriz e duas pequenas deformidades. Uma queda de uma árvore deixou uma cicatriz em sua testa, sobre o olho esquerdo, ainda visivel. Ele não possui o lóbulo de sua orelha esquerda, devido a um outro acidente durante a sua infância. Quando tinha dez anos de idade, Victor tentou fazer uma cirurgia exploratória no perdigueiro favorito de seu pai. O cão não estava completamente drogado pela tigela de vinho que o jovem Victor havia lhe dado, atacando-o no momento que sua pele foi cortada. O pai de Victor recusou-se a permitir que o pedaço pendente da orelha fosse costurado no lugar. Ao invés disso, como uma lição ele instruiu o médico da família a remover o lóbulo inteiro. Com 23 anos enquanto usava uma serra em uma cirurgia, Mordenheim amputou acidentalmente a ponta do seu dedo anular esquerdo.

Apesar de tudo isso, Mordenheim é um cirurgião e cientista talentoso que ficou obsecado com a busca de conhecimento desde a mais tenra idade. Enquanto outros garotos brincavam de faz-de-conta, Victor estudava ciências, tanto modernas quanto arcanas. Entretanto, ele desprezava a magia, julgando-a um “desvio da verdade”.

Aos vinte e um anos casou-se com Elise von Brandthofen, para grande surpresa de sua família e seus poucos amigos. Se não fosse pela insistência de elise ele nunca a teria conhecido, muito menos casado com ela. Ela era uma jovem inteligente e fora do comum que compartilhava o interesse (mas não paixão) do doutor pela química. Infelizmente ela era estéril e não podia lhe dar filhos.

Alguns meses depois de se casar com Elise, Victor começou sua pesquisa sobre ressurreição – ou mais apropriadamente, sobre a criação – de vida humana. Treze anos depois, ele alcançou seu objetivo e criou um monstro. Mas, embora Mordenheim tenha descoberto virtualmente cada peça do quebra-cabeça que ele estava montando, a centelha real, verdadeiro prodígio, não foiobra sua. Ele estava se intrometendo no trabalho dos deuses, e os deuses, por sua vez, se intrometeram no dele.

Mordenheim não cultuava nem acreditava em nenhum poder acima do homem. Ele era ateu convicto que só acreditava naquilo que pode ser provado. Se ele reverenciava alguma coisa, era o conhecimento. Seu desejo de criar vida era tão ardente, tão intensa era sua negação da existência dos deuses, que eles decidiram realizar seu desejo. Mas, eles infundiram em sua criação uma alma atormentada e distorcida, cheia de intenções maléficas.

Na noite em que o monstro respirou pela primeira vez, os dedos enevoados de Ravenloft começaram a tremer com a expectativa. Nos meses que se seguiram, eles se fincaram na terra ao redor do castelo de mordenheim, até que finalmente eles se levantaram da terra e o cercaram numa espécie de vigília. Quando toda esperança de Mordenheim havia se findado, as Brumas se retiraram dali, de volta para Ravenloft, levando consigo o castelo e todos os personagens da drama fatal de Mordenheim.

Victor se deleitava com sua criação e considerava (Adão) a criança que ele e sua esposa nunca poderiam ter, mas Adan demonstrava uma afeição tão forte por Elise que a assustava e lhe causava repulsa. Até mesmo quando, dois anos depois da criação de Adan, Victor apresentou uma amiga para ele, uma garota orfá de 7 anos que encontrara. A situação em nada melhorou. Adan parecia ter ciúmes das atenções que Eva ganhava. Sua hostilidade contra a garota era tão grande que Elise ameaçou o marido de abandoná-lo e levar Eva se ele não parasse com suas tentativas de encorajar o “ajuste social” de Adan, usando Eva como uma ferramenta experimental.

Victor estava embriagado com o poder de sua descoberta, e suas tentativas de educar e sociabilizar Adan continuaram. Numa noite o mundo de Victor desmoronou sobre ele. Despertado por gritos, ele correu para o quarto de Eva e encontrou o corpo mutilado de sua esposa amontoado ao lado da cama. Inclinado sobre ele estava o monstruoso Adan, segurando um pedaço ensanguentado da camisola de Eva. A criança havia desaparecido. Com um grito furioso, Adan desapareceu na noite enevoada.

Imagem do livro Domínios do Medo

Elise ainda estava viva, mas em condições precárias. Estava claro que ela morreria no máximo em uma hora se medidas drásticas não fossem tmadas. Agora o Dr. Mordenheim enfrentava um novo desafio: manter a centelha da vida da mulher que ele amava.
Ele trabalhou febrilmente, tentando restaurar a saúde de Elise. Apesar de todos os esforços, ele mal conseguia mantê-la viva. Ela continuava sendo pouco mais que um corpo destroçado, que necessitava maquinas cada vez mais complicadas para mantê-la respirando.

Hoje, para os habitantes locais o Dr. Mordenheim é um louco diabólico que conduz experimentos profanos em um castelo proximo ao mar. Eles temem e acreditam que ele tenha poderes que na verdade, ele não possui.

Os dias de Mordenheim (e muitas de suas noites) ainda são devotados à ciência, mas agora ele não tenta mais reviver os mostos. Ele procura meios de revigorar os vivos. Elise – ou o que sobrou dela – ainda respira em seu laboratório. Levado pelo remorso e o que deve ser realmente loucura, ele pretende dar a sua esposa um novo corpo, que beire a perfeição. Ela recobrou a consciência apenas duas vezes depois de seu fatídico encontro com Adan. Nesses breves momentos ela chorou por sua filha Eva, e a implorou para que Victor a libertasse de seu tormento. Seu coração ainda bate, mas contra a sua vontade.

Graças aos poderes sombrios Mordenheim tenta reviver Elise há séculos, o que estranhamente os lamordianos parecem não estar a par. É como se eles não notassem que Mordenheim continua aparentando menos de 40 anos enquanto gerações passam.

Desde a criação de Adan, Victor nunca mais conseguiu reviver um corpo sem vida ou reconstruir completamente aqueles que estão irremediavelmente mutilados. Embora tenha sido capaz de construir vários seres menosres – golens de carne estúpidos e deformados – ele não foi capaz de alcançar um sucesso igual ao que obteve com Adan, nem sequer conseguiu criar a visão de beleza que ele tanto desejava para Elise.

Sem a intervensão dos deuses ele nunca conseguirá. Talvez uma parte dele saiba disso, mas em sua busca sem fim por partes perfeitas e sua eterna espera pelo momento perfeito, ele consegue negar a verdade: Seu trabalho é um fracasso, Elise se foi para sempre e ele é tão culpado disso quanto a monstruosidade que a multilou.