Sheila - Caverna dos Dragões

Sheila - a ladra do grupo

Acredito que chegamos na personagem mais polêmica do desenho. Querem saber porquê?

É só vocês pensarem, como a TSR e os produtores do desenho conseguiriam implantar uma ladra em um desenho, transformando-a em um modelo politicamente correto? Como poderia um ladrão ser modelo para os fãs e para as crianças que assistiriam o desenho?



Sheila - Caverna do Dragão

Sheila

Imagino quanto trabalho Sheila deus aos seus criadores até chegar na versão no qual conhecemos no desenho. Tanto que ela tem um problema de tradução. O Mestre dos Magos a chama, em inglês, de “Thief” (“ladra”!), e a versão da Globo e Herbert Richers do desenho nunca a chamou assim.

De acordo com fontes na internet, na Espanha eles a chamavam de maga juntamente com Presto e na Alemanha de enfermeira ou curandeira.

Sheila pode ser considerada aquela que está sempre lá quando alguém está machucado ou depressivo. Ela se parece mais nesse aspecto com uma clériga, e não uma ladra. Apesar de sempre ajudar seus companheiros, o maior medo de Sheila é o de perder seus amigos e ficar sozinha.

Ela é irmã mais velha de Bobby, o qual procura proteger. Corresponde à afeição que Hank tem por ela e por razões estranhas, compreende a língua das fadas.

Dificilmente pensamos em Sheila sendo um personagem polêmico, porque sabemos como ela acabou sendo no final. No papel, entretanto, antes do primeiro episódio ir ao ar, ela deve ter se parecido com um dos piores pesadelos de um produtor responsável. O bom é que a CBS viu a razão ou pelo menos, refinou o personagem de Sheila até aquilo que todos conhecemos.

Sua arma é a mais passiva de todas: uma capa e um capuz que fazem o usuário invisível. Esta tem raízes bem claras no RPG de Dungeons & Dragons como o famoso Manto de Invisibilidade.

Este manto não é específico quanto ao usuário; um dos homens-lagarto do Vingador o usa em “Servo do Mal”. Em uma ocasião, em “O Cemitério dos Dragões”, o poder da capa é inutilizado por um redemoinho de vento mágico.

Sheila e o manto da invisibilidade

Sheila com seu Manto da Invisibilidade em ação

Ela escolhe usar seu procedimento furtivo contra o Vingador e seus aliados; não por ganho pessoal ou qualquer desejo de poder. Geralmente ela rouba de volta as armas que foram tiradas do grupo, devolvendo-as aos seus legítimos donos. (Imagine alguém mais usando um manto que propicia ao usuário não apenas a invisibilidade, mas não estar ali. Nas mãos de alguém que FOSSE um ladrão, seria bastante poderoso). Recordando os 27 episódios, o pior de que Sheila pode ser acusada é de invasão.

Claro que ser responsável por um irmão menor ajuda Sheila a manter seu papel de figura modelo. A série teria sido (ou poderia não ter sido) drasticamente diferente se Bobby não tivesse ido para o passeio no parque. Sheila é a personagem mais chorona do grupo. Lágrimas de alegria aparecem no fim do “O Vale dos Unicornios”, e tocam a bonequinha de pano de Ayisha e o rosto de Solarz, lágrimas de tristeza aparecem em “O Traidor”, “A Cidadela da Sombra” e “A Procura do Esqueleto Guerreiro”. Isto pode ser uma das razões para alguns fãs da série desdenham Sheila como a mais fraca dos personagens. Isto é verdadeiro apenas se você fica na posição machista de que emoção é o mesmo que fraqueza. De qualquer foram, Sheila era uma das razões para que Caverna do Dragão fosse talvez, a série mais “emocionante” do seu tipo.

Manto da Invisibilidade:

Uma versão melhorada do Manto Élfico descrito na pág. 61 do antigo Livro de Regras.

O usuário do Manto da Invisibilidade pode ficar inteiramente invisível, por quanto tempo desejar e quantas vezes quiser, sem precisar rolar dados – perdendo a invisibilidade apenas se atacar ou lançar feitiço. Se ficar sem se mover, o usuário do manto pode esconder consigo mais uma pessoa.

Manto Élfico: Quem veste esse manto fica quase invisível (jogue 1d6; visto apenas com resultado 1). O usuário fica visível se atacar ou lançar feitiço e não pode se tornar invisível de novo durante 1 turno inteiro.

Ao meu ver, o personagem de Sheila foi grandemente atrapalhado pela censura da época do desenho, poderia ser bem mais útil e poderosa se o conceito dos (ladinos) estivessem sido seguidos à risca. Mas como na comunicação entre escrita e TV tudo tem que ser adaptado. Quem paga o pato final são os fãs que vêem e identificam as mudanças feitas por menor que os detalhes possam parecer. Não desqualifica a série nem os personagens mas nos deixa pensando como poderia ser se fosse de outra forma.

Bom até a próxima e deixem seus comentários sobre o personagem para podermos debater sobre cada um deles.

Abraços.